Bywater by Myself!

BYWATER/ NEW ORLEANS/ USA:

PRIMEIRO REGISTRO DE CONSTRUÇÃO: 1806
VIBE: Colorido, atrevido e hipster

A despedida da minha primeira viagem solo!

Viajar sozinho ainda é para muitos algo impensável. No entanto, todos os dias alguém decide enfrentar esse “dilema” e explorar lugares novos com o objetivo de dividir momentos e descobertas ao seu modo, com seu olhar.

Para quem não sabe a minha primeira viagem solo foi em outubro, fiquei meses planejando e pesquisando, fiz mudanças, mas uma certeza que eu tinha desde antes de comprar as passagens era que a última semana seria em Bywater, numa casa, tipo uma local.

E foi o que aconteceu. É muito mais fácil fazer tudo sozinha sendo turista, você se mistura entre turistas e ninguém se percebe. Ser turista num lugar onde todos se conhecem e você está solo você já vira foco. Eu tive que driblar esse lance e como marinheira de primeira viagem me sai muito bem.

Prova de fogo #1, chegar e ficar num bar local sozinha, predominantemente masculino, J&J Sport´s Lounge, com alguns casais, todos locais, se eu sair daqui inteira o resto será moleza. Os olhares matadores diziam: chegou a caçadora (estou sendo fina). Na primeira noite me senti mal, na noite seguinte voltei e já me senti mais a vontade. Fiz questão de tomar uma cerveja várias vezes nesse bar, que era em frente minha casa. No final eu já entrava e saia quase despercebida. A galera vai para ver jogo, jogar e beber, não tem comida. Fica aberto das 09 às 04, quase 24 horas!

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Mas vamos ao que interessa!

Há 6 dias da minha volta, saí do hotel bacanudo que eu estava, no Downtown Warehouse Art District e me mudei para a casinha, uma shotgun* lindamente restaurada.

Minha casinha era a “empunhadura” da espingarda, uma edícula com um baita quarto, sala, cozinha americana e banheiro. Acesso ao quintal que era compartilhado com o “cano” da espingarda, onde moram as proprietárias. Pés de lima, plantas lindas, luzinhas e muito capricho em toda decoração. Eu moraria ali fácil!

Vejam que lindeza : Bask in the Tranquil Courtyard of Bywater Guest House!

Em Bywater essa é a arquitetura predominante. Cada vez mais as casas estão sendo reformadas internamente , mantendo-se a fachada e deixando as cores cada vez mais vibrantes.

O bairro tem um prédio de 5 andares, pelo que me lembro, inclusive fiz essa foto porque foi marcante na paisagem.

O trem corta as duas principais ruas que dão limites ao bairro e margeia o Rio Mississipi juntamente com o Crescent Park, que mostrei aqui nesse post Crescent Park e o Mississipi River, lembram?

O trem faz parte da cena. As vezes eu ficava 10, 15 minutos esperando o trem (gigante) para atravessar a rua. Eles andam pra frente, pra trás, aguardando para manobrar ou estacionar para descarregar, enfim, é muito louco. E mais louco ainda são os moleques que ficam driblando o trem, fazendo le parkour, pulam no trem andando e por aí vai. O trem que eu cheguei em New Orleans ficou nesse zig zag pelo menos uns 30 minutos até chegar na estação e finalmente desembarcarmos.

Dica de local: jamais saia de casa em cima da hora do seu compromisso porque se o trem resolver manobrar, já era.

É um bairro de praças, escolas e muitas casinhas, cafés, bares, bistrôs, restaurantes, galerias de arte, brechós e muitas casas ainda sem reforma, que mostram os resquícios deixados pelo Katrina.

Bywater foi o bairro mais atingido pelo furacão e por isso é o queridinho de uma galera que mudou pra lá para reconstruí-lo, chegam a ser arredios com a presença de turistas estrangeiros, são contra a construção de hotéis. São contra airbandb e o que tem é caríssimo. Senti isso na pele principalmente nos primeiros dias. Depois, como é bem bairro, andando a pé pra lá e pra cá, acabei ganhando a simpatia dos donos do pedaço.

É uma parte de New Orleans que eu notei uma predominância loira, diferente dos outros bairros. A galera é meio anos 60/ 70, tanto os mais jovens quanto os que realmente são. Ou seja, meio bicho grilo, mas também meio papo cabeça e bebem e fumam para caramba!

New Orleans é pequena e com essas características gastronômicas e artísticas, Bywater recebe executivos e famílias dos bairros vizinhos durante a semana inteira, o que faz com que os points sempre tenham movimento e eles possam se dar ao luxo de não precisar de turista, aparentemente estão muito bem com o que tem, não querem crescer e estão certíssimo, aquele ar de interior acabaria em 2 tempos.

Eu cheguei em Bywater com uma lista gigante de lugares para conhecer, comer, beber, só não fui no que estava fechado. Não tinha dias para tanta coisa e o jeito foi fazer muitas coisas em todos os dias. Não dá pra dizer do que eu gostei mais, mas não tem como não falar do Bacchanal Wine, minha despedida em alto estilo, do The Joint o melhor brisket ever, fui duas vezes e queria ter ido 5! Da Bywater Bakery a padaria vermelha mais linda e deliciosa que eu já conheci, dos pedaços de frango frito da Church’s Chicken, super simplão, tipo sujão, mas que eu fui 3 vezes, porque era irresistível sair comendo pela rua, no saco mesmo. Do Dr Bob Art, BE NICE OR LEAVE!  Artista que tem um espaço enorme em Bywater há 28 anos, onde mora, faz e vende sua arte, que inclusive está presente em todos os lugares descolados do bairro. Tudo meio carinho, com o dólar a R$4,50, mas eu comprei uma lembrancinha de 10, era o mais baratinho. O St. Roch Market, mercado com todas as comidas típicas de Nola, todo em mármore branco, lindíssimo. E uma infinidade de lugares bacanérrimos. O Jack Dempsey´s que leva a fama de servia a melhor fried seafood de Nola e é nota 10! O Bar Reduz, a Parleaux Beer Lab onde foi difícil escolher qual a melhor cerveja dos caras e por aí vai…

Esses dias de calor que estamos tendo aqui em São Paulo e com certeza em outros estados do Brasil, refletem bem o clima de New Orleans. Uma sauna e quase todo dia chove, mas não refresca.

Eu havia programado mas confesso tinha certeza que seria daqueles programas que eu cortaria, mas aquele céu azul e sol me provocaram, tirei uma manhã para ir à piscina do Country Club, US$15, um bar maneiríssimo e uma piscina linda. Cheguei cedo e já estava rolando um mega evento beneficiente de drag queens, no bar interno, música bombando, altíssima, elas desfilando e dublando cantoras negras. A piscina estava vazia, mas foi enchendo, muito. Foi um programa diferentão, me diverti.

Adorei a viagem num todo mas o mais desafiador foram esses dias em Bywater, tão planejados e tão surpreendentes. Com tudo que contei aí em cima, conclui-se que os dias finais da viagem solo foram mais difíceis que toda a viagem. Se eu tivesse começado a viagem por ali acho que teria sido traumático (risos).

O que eu tiro de tudo isso é que viajar sozinha ensina muita coisa pra gente, principalmente saber se a nossa cia é legal. Tenho certeza que se a cabeça não estiver bem é melhor desistir, afinal você tem que ser seu melhor amigo, sua melhor cia o tempo inteiro, ou seja, você tem que ser super super legal! Eu descobri que sou 🙂

Fica a dica!

*Shotgun: “casa de espingarda” é uma residência doméstica estreita e retangular, geralmente com não mais do que 3,5 m de largura, com salas dispostas uma atrás da outra e portas em cada extremidade da casa. Foi o estilo de casa mais popular no sul dos Estados Unidos desde o final da Guerra Civil Americana (de 1861 a 1865) até a década de 1920. 

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