O Amanhã!

Minha vida de viajante começou cedo, bem cedo.

Teve um facilitador que se transformou em inspiração.

Meu pai era piloto, entrou na Varig em 1957 e eu nasci em 62.

Minha primeira viagem foi para Blumenau, eu devia ter uns 5 anos e passei mal no voo.

Em 69, com a ida do meu pai para aviação internacional mudamos para o Rio de Janeiro. Fomos de avião e eu fui à base de Dramim. Imagina, Dramim pra uma Ponte Aérea!

A próxima viagem foi a primeira longa, em 70. Férias de janeiro. Meu pai estava na base de Los Angeles, voando para Tokio, minha mãe, meu irmão e eu, fomos encontrá-lo.

Não tinha voo direto, a escala era em Lima/ Peru. Não pagávamos passagem, claro, tínhamos 4 GC’s* por ano, cada um, mas o risco do avião ter over book e alguém ficar nas escalas era real. Eu nunca fiquei, lucky girl.

Então veio o primeiro voo com meu pai no comando, de Los Angeles para o Japão, com escala em Anchorage/ Alaska, sem risco de ficar, ele não nos largaria lá naquele gelo.

Foi a primeira vez que voei na cabine, a convite do comandante, o Sapateiro, e também foi a minha primeira vez na Primeira Classe. Nunca mais parei de voar na cabine e nem na primeira classe. Aliás, migrar pra “econômica” foi e sempre será uma dureza (risos).

Eu viajava muito mesmo. Quem me conhece sabe. Eu pedia uma “folga” no trabalho de uns 2/ 3 dias, emendava com o fim de semana e ia a Nova York, Paris, Miami, Lisboa, México, Roma, Frankfurt… Férias foram varias em Los Angeles, na casa de amigos, que nasceram da Varig e estão até hoje em nossas vidas.

Em 1991 fiz a ultima viagem com meu pai pilotando. Fomos minha mãe, meu irmão e eu. Meu pai fez 60 anos e era hora de parar. Fomos todos para Frankfurt, foi o penúltimo voo dele, foi cheio de homenagens e emoção.

O último ele não nos levou, a festa foi só dele!

Viajar pra fora era caro, quando parei de ganhar passagens, achei sinceramente, que nunca mais sairia do Brasil.

Então vamos curtir o Brasil!

Só em 2007 veio a primeira viagem para a Patagonia, que já contei no post Carnaval no Fim do Mundo.

Depois voltei na Patagonia, depois Santiago, Uruguai e Buenos Aires sou quase local (risos).

Mas apesar de todas as dificuldades que o país passa não podemos negar que, o glamour da aviação acabou, assim como a Varig quebrou, mas em compensação viajar ficou viável pra quem tem um trabalho e se quiser mesmo, parcela tudo e pronto, voilá!

E é assim que eu faço, há 8 anos faço uma viagem “grande” por ano.

Gasto muito? Óbvio que não! Invisto em mim, pra recarregar energias pra mais uma jornada de trabalho.

Não sei sobre amanhã ou depois, sei que cada segunda-feira que eu acordo de mau humor, precisa valer a pena.

Aliás, um brinde às segundas, terças, quartas e quintas! A vida não é feita de sextas, finais de semana, feriados e férias. E se não fossem esses diazinhos malas eu não estaria agora, sentada na poltrona desse MD88 da Delta já quase em Memphis!

Meu lugar nos próximos 3 dias

*Grátis Condicional

Como será amanhã?

Responda quem puder

O que irá me acontecer?

O meu destino será

Como Deus quiser

Como será?”

G.R.E.S. União da Ilha do Governador
Compositor: João Sérgio

Intérprete: Aroldo Melodia

Ano: 1978

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Tema: Baskerville 2 por Anders Noren

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